quinta-feira, 12 de junho de 2008


1968: Eles só queriam mudar o mundo...



Com certeza esse será um ano memorável, mas espero que os seus acontecimentos e anseios não fiquem apenas no passado. Muito se quis e se lutou, muito se conquistou, mas o que mais dói é o esquecimento de um sonho que nasceu para ser eterno...

Neste ano de 2008 comemora-se 40 anos de 68, e em homenagem, a Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte realizou uma semana de eventos com palestras e o projeto malas do exílio. Dentre essas homenagens encontra-se este blog.

Foi uma época marcada por desejos e repressões. O ano de 68 foi palco de torturas e censura contra aqueles que se opunham ao regime ditatorial. Foram inúmeros os casos de mortes e desaparecimentos inexplicáveis dos que apenas queriam um pouco de liberdade.Misturado com todo esse sangue vieram as cores do movimento hippie e o seu eterno lema e apelo para o mundo: "PAZ E AMOR". Embalados pelo rock'in'roll dos Beattles e dos Rolling Stones, viu-se na cultura o florescer do tropicalismo, das obras do artista Hélio Oiticica e a poesia marginal. Homossexuais e mulheres se uniram e levantaram uma bandeira 'rosa' por direitos iguais.

As mesmas vozes que cantavam misturadas as músicas eternas "Pra não dizer que não falei das flores" de Geraldo Vandré e "Imagine" de John Lennon se rebelavam na passeata dos Cem Mil. O mundo assistia perplexo ao horror da Guerra do Vietnã, que mostrou em tempo real, pela primeira vez, o sofrimento de um povo covardemente atacado por uma superpotência.
1968 é um ano sem traduções, sem limites, e que deixou marcas para a humanidade. Talvez a única e a melhor homenagem que pode ser prestada a todos os que lutaram por um mundo melhor seja o silêncio por todo o sofrimento, e alimentar viva dentro de cada um a esperança deste sonho. Sonhos não acabam ou morrem, eles são eternos...




Sexo, drogas e rock'in'roll



"Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só"


Essa foi a trilha sonora de 68, a mistura do rock dos Beattles e dos Rolling Stones e do tropicalismo de Caetano, Vandré, Gilberto Gil... Mas que todos cantavam o mesmo hino de esperança. A música envolveu milhares de jovens da década de 60 e embalados por ela tiveram mais força para gritar por seus direitos. Desde liberdade política a liberação das drogas e do sexo.
O sexo era visto como uma quebra de valores ultrapassados, do conservadorismo. As pílulas anticoncepcionais garantiu a segurança do sexo sem o risco da gravidez mas teve como consequência o nascimento da AIDS, a doença que nasceu nesta década. Iludidos com o sexo seguro, descuidaram-se.
As drogas, ao contrário de hoje, não representava o tráfico ou o crime, mas sim a liberdade, a não preocupação, a vida sem limites...
A juventude muito aprendeu e muito ensinou, e gritou seus ideais a este mundo, que um dia, não estava disposto a escutá-los.


quinta-feira, 5 de junho de 2008

AMIZADE

LOUCOS E SANTOS
Marcos Lara Resende


Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferençase peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou,
pois os vendo loucos e santos,bobos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que"normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
AMIGOS
Vinicius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação dos meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto de vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
"Não tem como ser totalmente você ou simplesmente do jeito que as pessoas querem que você seja... Passei minha vida fugindo disto... mas o ser humano é bem mais complexo do que isso... e talvez seja esta a razão para não conseguir descrevê-lo..."
"Algumas coisas podem fazer você conhecer melhor uma pessoa, mas saiba que vai passar toda a sua vida sem saber quem ela é. Eu não sou a garotinha perfeita..."
"Você pode conhecê-la um pouco, aos pouco, ou nunca... Nunca permiti que alguem soubesse quem eu sou, estou abrindo as portas do meu mundo, bem devagar..."